sexta-feira, 18 de março de 2011

Relacionamento entre médicos, estudantes de medicina e farmacêuticas

Durante o PASHA2010, aplicamos um questionário sobre Relacionamento entre médicos, estudantes de medicina e farmacêuticas. Infelizmente não recolhemos um n suficiente para gerar uma publicação científica, mas de qualquer forma vamos aqui apresentar os dados. Consideramos repetir a iniciativa em algum momento.

40 pessoas entregaram os questionários preenchidos. 65% dos respondedores eram estudante de Medicina. Os demais se identificaram como médicos ou gestores.

Quando questionados se é apropriado receber presentes da indústria farmacêutica de baixo valor monetário (canetas, mousepads, etc), a maioria (61%) respondeu que sim (concordo fortemente ou concordo).

Quando questionados se é apropriado receber presentes da indústria farmacêutica de maior valor monetário (smartphones, inscrições em congressos, viagens, etc), a maioria (71%) respondeu que não (discordo fortemente ou discordo).

Quando questionados se os materiais educativo-promocionais distribuídos pela indústria farmacêutica são usualmente fontes confiáveis para obter informação a respeito de novos medicamentos, a imensa maioria respondeu que não.

Apesar de não confiarem na informação dos propagandistas, de considerarem inadequados os presentes de alto valor monetário e de alguns terem respondido espontaneamente em espaço que era livre desdenhando da importância de presentes de baixo valor monetário, quando questionados se o seu hospital ou faculdade deve impedir o contato de representantes de laboratórios, 54% dos médicos não concordam. Os estudantes têm uma tendência a concordarem, mas também parecem bastante divididos.

A maioria não acha inadequado que o médico receba presentes de baixo valor monetário, e também não considera (58%) que estes presentes influenciem a prescrição médica.

A maioria considera inadequado receber presentes de maior valor monetário e aceita (65%) que influenciam as prescrições médicas.

O PASHA2010 não aceitou financiamento de indústrias de medicamentos como política de conflitos de interesse, acreditando ser importante para a promoção do uso racional. Quando questionamos os participantes se eventos médicos com a participação das farmacêuticas tendem a ser enviesados, 84% responderam que sim (concordo fortemente ou concordo).

O fato do PASHA2010 não ter estabelecido por opção nenhuma forma de relação com a indústria farmacêutica teve alguma influência na sua decisão de participar?

3% responderam que influenciou negativamente, 36% que influenciou positivamente. A maioria referiu que não influenciou, o que definitivamente faz refletir sobre o esforço empregado para viabilizar um evento neste formato. Está mesma maioria descreve eventos em parceria com a indústria como enviesados.

É bastante interessante a análise de alguns comentários que foram feitos espontaneamente pelos participantes.

- “É apropriado receber presentes, desde que havendo ética, sem influenciar”. Condenando os casos de corrupção intencional, mas parece não dar importância ao quanto poderíamos ser influenciados de outras formas. A mesma pessoa não dá importância ao fato do evento ser ou não ser financiado por farmacêuticas: “sei avaliar”. Eu não tenho a mesma convicção sobre a minha própria capacidade.

Uma pessoa que respondeu que não gostou do fato do PASHA2010 não ter aceitado participação da indústria, escreveu que “adoraria receber brindes, sem que isto interferisse. O paciente em primeiro lugar”.

Geralmente inscrições e estadias são muito caras. Se não se tem o dinheiro, por que não aproveitar a oportunidade de se atualizar?” A mesma pessoa mais adiante respondeu Concordo em relação à afirmação: Congressos em parceria com a indústria tendem a ser enviesados.

Acredito que certos médicos, infelizmente, se deixam influenciar”. É comum enxergamos o problema nos nossos pares, mas não em nós próprios. Vide postagem anterior

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