segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Atingindo jornal de pediatria é que vejo que a brincadeira foi longe...

HOSPITAL Pediatrics - AN OFFICIAL JOURNAL OF THE AMERICAN ACADEMY OF PEDIATRICS - 2012;2;118

The phenomenal growth of Pediatric Hospital Medicine continues unabashed. As hospitalists continue to grow and defi ne their roles in the field of medicine our influence on the health of children will continue to expand.
...
One of The Section of Hospital Medicine’s (SOHM) goals is the development of international partnerships and promotion and dissemination of the Pediatric Hospital Medicine (PHM) model to other countries interested in learning about our experience. Taking this goal to heart, the Section recently supported the First Brazilian Pediatric Hospital Medicine Symposium. The conference was organized by Dr Guilherme Brauner Barcellos, former President of the Brazilian Hospital Medicine Society and the current President of the Pan-American Society of Hospitalists (PASHA), and Dr Fabiana Rolla. The conference, which took place November 9, 2012 in Porto Alegre, Brazil, covered many clinical and educational topics. Participants from the United States included Dr Geeta Singhal and Dr Ricardo Quiñonez who  spoke about clinical topics, patient safety, education and the PHM experience in the United States. The hospital medicine movement in Brazil has many similarities to the early US experience. Adult hospitalists have started to become fairly accepted and widespread and with Dr Rolla’s lead, pediatric hospitalists are very likely to follow. Some shared experiences with barriers such as acceptance by primary care practitioners were presented and strategies to overcome these were discussed.

http://hosppeds.aappublications.org/content/2/2/118.full

sábado, 11 de agosto de 2012

Individualismo coletivista

João Pensador vive em Palomas. Ele se considera um filósofo de ponta. Aderiu aos experimentos mentais para fazer a demonstração e o teste das suas ideias. É um peripatético – anda pelas ruas conversando com quem não consegue escapar da sua filosofia –, embora seus inimigos digam que ele fica mais bem definido sem o prefixo “peri”. João garante que, em sociedade, o individualismo é sempre um coletivismo dissimulado. Entende, com os liberais extremados, que o mais forte deve vencer. O coletivismo é o mais forte como associação dos mais fracos. Em síntese, em qualquer situação, só há coletivo.

– Como assim, João? – questiona Candoca, o ingênuo.
– Pensa num jogo de força, Candoca. Você me enfrenta. Eu sou mais forte. Eu ganho sempre. Aí você se junta com o Pedro Pauleira e com o Arlindo. Vocês ganham.
– Certo, João. Mas a regra permite a gente se juntar?
– Depende, Candoca.
– De quê?
– De que não, Candoca, de quem.
– De quem?
– De quem faz a regra.
– Mas se quem faz a regra, João, estabelece que não poderá existir junção de pessoas para combate, que deve ser sempre um contra um, na bucha, nada mais, impondo o individualismo total como regra absoluta?
– Se isso acontece, Candoca, o coletivismo já ganhou.
– Ué! Não entendi.
– Para fazer a regra valer será preciso contar com a maioria. Só a decisão coletiva pode impor a norma.
– Mas e se ela for imposta pela força?
– Aí vocês juntam uma força maior e ganham.
– Mas se o Estado for mínimo?
– Para o Estado ser mínimo é preciso, numa democracia, que a maioria assim o decida e tenha condições, com o aparato estatal, de garantir e executar a decisão.
– O que isso quer dizer?
– Que o Estado mínimo é sempre máximo.
– Sempre máximo?
– Sim, o mínimo de intervenção estatal depende do máximo de capacidade do Estado para fazer valer esse mínimo decidido pelos que compõem o Estado, nós.
– Nós?
– Sim, o Estado não é uma abstração. É um coletivo formado e reformado constantemente pelas decisões dos cidadãos através dos seus representantes, que são pressionados por vários aparatos, a mídia, etc.
– Então o mais liberal dos Estado é coletivista?
– Sempre.
– E se for uma ditadura?
– Nesse caso o Estado será ainda mais forte, máximo, e, ainda assim, dependerá de um coletivo capaz de mantê-lo pela força. Em sociedade, tudo depende de um coletivo de vontades ou de um coletivo de forças. A ditadura é um coletivo de forças em nome de certas vontades. A democracia é um coletivo de vontades legitimada e garantida por um coletivo de força.
– Mas, então, João, o individualismo é, como se diz mesmo, uma contradição, não, não, um paradoxo?
– Sim, Candoca, sem tirar nem por.
– Mas e o coletivismo o que é?
– É sempre individualista.
– Ai, meu deus, como assim?
– Depende de um conjunto de vontades individuais.
– Deixa ver seu eu entendi: um liberal, defensor do individualismo e da supremacia do mais competente, do mais forte, do mais eficaz, deveria elogiar o coletivo como um indivíduo múltiplo mais poderoso?
– Certamente. Como eu disse, o coletivo organizado é uma decorrência lógica da lei do mais forte.
– Toda democracia é coletivista?
– Toda ditadura também.
– Mas a democracia é um coletivismo melhor?
– Claro. Mas ela pode ser pior ou melhor em relação à própria democracia. Numa democracia pior, a maioria, o coletivo, decide em favor dos interesses da minoria. Numa democracia melhor, o coletivo, obviamente, decide em favor de si mesmo, da maioria.
– E numa ditadura?
– Ora, numa ditadura, a minoria, um coletivo, decide em seu favor e pela maioria. É simples assim.
– E numa monarquia absolutista?
– Bem a vontade do rei prevalece. Mas ela só prevalece se ele tiver a lealdade de um coletivo repressivo.
– Como assim?
– Se o exército se voltar contra ele, babaus. Se a nobreza o trair, já era. Se o aparato burocrático não o acompanhar, ela dá os doces. Tudo é coletivo.
– Estou confuso, me sentindo meio patético.
– Vai dormir, Candoca, que eu vou ficar pensando.
– Pensando? Já não basta?
– Vou ficar pensando como refutar meu pensamento.

Publicado por Juremir em Correio do Povo

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Bebê tem braço amputado após suspeita de "erro médico" e colega desabafa (errado)

Um bebê de 40 dias teve o braço direito amputado na manhã desta quinta-feira no Pronto Socorro da Vila Industrial, em São José dos Campos, interior de São Paulo. Uma enfermeira teria aplicado medicação na artéria, mas deveria ser na veia. Leia mais.

Recebi mensagem de colega, ótima pessoa e formador de opinião:

”O fato é que a notícia é muito triste. Um bebê que viverá sem seu braço. Triste também é um portal que se diz de notícias propagar uma chamada sensacionalista para gerar conflitos ao invés de informar e tentar corrigir para nunca mais aconteça. O médico prescreveu a medicação X, o enfermeiro(a) ou técnico(a) de enfermagem administrou, infelizmente, pela via errada. Os médicos operaram e salvaram esta vida. A Enfermagem sempre luta por maior autonomia e seus atos são fiscalizados por suas chefias. Não é atribuição do médico e nem tem como ser, legalmente e na prática, supervisionar a conduta de enfermeiros(as) ou técnicos(as). Foi imperícia em um procedimento comum da prática da Enfermagem. Erro de Enfermagem. Independentemente de IBOPE, a notícia deve ser divulgada da forma correta sempre. Quem errou, responda e pague, mas quem generaliza deve lembrar que será julgado um dia, aqui ou em outro lugar”.

Quem tem o discurso azeitado não costuma (ou não costuma mais) estar na ponta aplicando medicações, ou vendo pacientes. Na ponta ainda impera este tipo de cultura. Quem tem o discurso azeitado convive com semelhantes (se encontram por afinidade), e o grupo passa a ter sua própria consciência situacional, enxergando o problema a partir de suas próprias lentes. Muitas vezes passam a criticar o profissional da ponta, e vice-versa. Na ponta, um critica o trabalho do outro. Eta ciclo vicioso! 

Sobre o tema:

Segurança do Paciente em pauta

O médico não pode errar!

O erro médico e a segunda vítima

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Fragmentação sem nenhum critério...

Já discutimos como a continuidade do cuidado pouco existe no SUS.

Ontem cedo fui contatado porque pessoa próxima necessitava de informações sobre colega. Seu familiar havia internado em importante hospital privado da região - via Emergência, é claro. Indicaram internação hospitalar. Uma primeira opção de médico para assumir o caso durante a hospitalização não foi possível, pois o colega estava viajando, em congresso. Uma segunda opção não foi encontrada - profissional ocupado, deve trabalhar em uns três ou quatro locais. Como a terceira opção somente poderia ver o paciente no final do dia, pois estava de plantão em outro hospital, e era absolutamente não conhecida da família, me ligaram questionando se era boa, dizendo que se não fosse boa daria tempo de procurar outra.

Temos que trabalhar com duas alternativas: ou o modelo tradicional, ou o modelo de Medicina Hospitalar. E uma saudável interface entre ambas. Cadê o médico deste paciente, aquele que o conhece, que o acompanha? Pois seria igualmente importante até mesmo se (bons) hospitalistas viessem a se responsabilizar pela internação. A única alternativa que não podemos aceitar é esta da fragmentação sem critérios... Da seleção do pior dos dois mundos ou modelos. Com tudo menos foco no paciente!
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