quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Hospitalista com viés...

MH para mim nunca significou pretensão de atuar como agente de médicos para hospitais. Aliás, lá atrás neguei, e sigo negando "oportunidades".

Não há nada de errado nisto, além de questões ideológicas. Absolutamente não necessariamente é imoral, muito menos ilegal. E ideologia cada um tem a sua.

Mas lembro bem da última vez que oportunidade surgiu. Hospital da capital, com outro no interior para filantropia, propôs, através de alguns diretores, "hospitalistas no segundo". Já apresentei o conceito, com minha visão de hospitalista, duas vezes na matriz: nunca permitiram, ao menos o tipo de hospitalista que historicamente defendi. Para o segundo, e a proposta financeiramente era tentadora, sugeriram que eu juntasse uma "gurizada", "meus amigos residentes" (na época, aproximei-me com o colega Diego Menegotto, que recém tinha sido presidente da associação dos médicos residentes do Rio Grande do Sul), para "tocar os pacientes clínicos". 

"Pela cirurgia, já colocamos os residentes daqui numa escala e atendem lá uma vez por semana. Assim tem cirurgião 24/7. Quando a gurizada precisa, nos prende o grito", disse um diretor orgulhoso. Eu confesso que estava quase sucumbindo, mas nesta hora fui testado por mais uma questão de encontro a antigas convicções ideológicas. De encontro a como não deve ser residência médica - na minha opinião. De encontro a meu conceito de residência médica - para o que não deveria servir.   

sábado, 31 de janeiro de 2015

Boa e velha Medicina

Cresceu em todo o Brasil, nos últimos anos, a demanda por médicos generalistas, que centralizam os cuidados com o paciente, supervisionam as medicações e indicam especialistas quando necessário.

Segundo reportagem publicada nesta Folha, a Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade estima que, dos cerca de 5.000 profissionais ligados à entidade, 10% trabalhem em consultórios particulares –até há pouco atuavam apenas na rede pública.

O movimento não se limita a especialistas em saúde da família. A função de médico primário também pode ser desempenhada por clínicos gerais e profissionais de áreas mais abrangentes, como cardiologia, endocrinologia e geriatria.

A redescoberta do velho médico de família ilustra algumas das contradições da medicina moderna. Numa descrição caricatural, a oposição se dá entre o atendimento personalizado, proporcionado pelo generalista, e o massificado, no qual são vistos órgãos e moléstias, mas não o doente como um todo.

Embora uma combinação de romantismo e saudosismo faça a primeira opção soar mais atrativa, a verdade é que as duas abordagens são necessárias e não excludentes.

As estatísticas, onde elas existem, atestam que profissionais e centros hiperespecializados, que realizam procedimentos em escala industrial, têm resultados muito superiores aos de médicos e hospitais que não lidam tão frequentemente com o problema. Padronização e experiência levam a menores taxas de erros e complicações.

Dessa constatação empírica não decorre que o generalista deva ser mera porta de entrada que leva ao especialista. Não só porque a esmagadora maioria dos problemas podem ser resolvidos com intervenções simples, mas também porque é importante –e em alguns casos fundamental– que um único profissional esteja à frente do processo.

Conhecendo bem o paciente e tendo com ele uma relação de confiança, o "médico personalizado" encoraja a adesão ao tratamento, sobretudo quando implica mudanças no estilo de vida ou o uso contínuo de remédios. Facilita, também, a adoção de medidas preventivas.

Com a centralização, além disso, evita-se que sejam prescritas ao mesmo paciente drogas que, tomadas em conjunto, provocam interações indesejáveis ou fatais.

A procura por generalistas revela o quanto o sistema de saúde precisa ser mais racional, tanto na rede privada como na pública. Combinados, o profissional próximo ao paciente e os especialistas tendem a proporcionar cuidados mais eficazes e economia de recursos.

Editorial da Folha 29/01/2015

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Câmara Técnica de Segurança do Paciente do CREMERS

Recebi agora convite para participar. Percebo como iniciativa interessante e potencialmente promissora.
Mas quem me acompanha deve perceber um certo ceticismo meu em relação às organizações médicas tradicionais, para não dizer desilusão. 
No meu atual momento, quero investir tempo e energia em iniciativas locais, voltadas a meus pacientes, bem como em frentes mais amplas, mas não relacionados ao eixo médico tradicional. 
Observarei atento o andamento deste projeto e espero sinceramente que traga frutos aos médicos e, principalmente, aos pacientes.
Quem me fez o convite representa colegas que mantêm minha chama acessa, e realmente desejo sucesso ao grupo que será designado. 
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