Sobre Medicina Hospitalar, hospitalistas, qualidade assistencial, segurança do paciente, erro médico, conflitos de interesses, educação médica e outros assuntos envolvendo saúde, política e cotidiano.
terça-feira, 14 de junho de 2011
O médico que declara seu conflito de interesse com a indústria farmacêutica é mais ético?
O médico que declara seu conflito de interesse com a indústria farmacêutica é mais ético? O senso comum diria que sim. Mas pesquisas recentes na área da psicologia experimental mostram que não é bem assim.
Ao revelar todos os laços que possam influenciar seu julgamento, o profissional se sente livre para continuar adotando comportamentos ainda mais antiéticos. A conclusão, de estudos em que são simulados cenários de conflitos de interesse, coloca em xeque a declaração feita pelos médicos em congressos e publicações científicas, em que eles reconhecem todo apoio financeiro recebido em seu trabalho.
"Não estamos dizendo que a transparência seja uma coisa ruim. Mas ela não funciona tão bem como pensávamos", disse à Folha o pesquisador Daylian Cain, economista do comportamento na Universidade Yale (EUA).
Ele e colegas realizaram experimentos que simulavam situações em que o médico (e outros profissionais, como advogados) tinham de decidir qual era a melhor indicação para o paciente/cliente. Os que tinham conflitos de interesse "como ganhar comissões pela indicação de um produto" deram mais conselhos em benefício próprio, não do paciente. Os pesquisadores perceberam que, ao revelarem ao paciente o conflito de interesse, os médicos se sentiram ainda mais à vontade para agir em causa própria.
"É o chamado licenciamento moral. A divulgação de um conflito deu às pessoas 'luz verde' para se comportar sem ética, como se fossem absolvidas por terem sido transparentes", diz Don Moore, professor de comportamento organizacional da Carnegie Mellon (Pensilvânia).
Para o professor da USP Reinaldo Ayer, diretor da Sociedade Brasileira de Bioética, o Brasil está atrasado nessas discussões. "Aqui, ainda temos de estimular que a declaração de conflitos de interesse seja rotina entre os médicos."
Roberto D'Àvila, presidente do CFM (Conselho Federal de Medicina), concorda: "Ao declarar, dou condição para quem está lendo uma pesquisa, assistindo a uma aula ou recebendo tratamento de saber que aquilo está contaminado por outros interesses". Para ele, declarar não acaba com o conflito, mas "torna a relação [entre os médicos e seus pares ou pacientes] mais transparente". O CFM e a Interfarma (associação das farmacêuticas multinacionais) estão elaborando um novo código de conduta ética.
Já o médico gaúcho Guilherme Brauner Barcellos afirma que a declaração não pressupõe mudança de cultura nas organizações médicas. "É insuficiente para proteger os pacientes." Barcellos preside a Sociedade Brasileira de Medicina Hospitalar, que há dois anos faz congressos sem ajuda dos laboratórios. "É possível fazer, mas precisamos discutir outras formas de financiamento da educação médica."
ERRATA: fui presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Hospitalar até final de 2010!
Ao revelar todos os laços que possam influenciar seu julgamento, o profissional se sente livre para continuar adotando comportamentos ainda mais antiéticos. A conclusão, de estudos em que são simulados cenários de conflitos de interesse, coloca em xeque a declaração feita pelos médicos em congressos e publicações científicas, em que eles reconhecem todo apoio financeiro recebido em seu trabalho.
"Não estamos dizendo que a transparência seja uma coisa ruim. Mas ela não funciona tão bem como pensávamos", disse à Folha o pesquisador Daylian Cain, economista do comportamento na Universidade Yale (EUA).
Ele e colegas realizaram experimentos que simulavam situações em que o médico (e outros profissionais, como advogados) tinham de decidir qual era a melhor indicação para o paciente/cliente. Os que tinham conflitos de interesse "como ganhar comissões pela indicação de um produto" deram mais conselhos em benefício próprio, não do paciente. Os pesquisadores perceberam que, ao revelarem ao paciente o conflito de interesse, os médicos se sentiram ainda mais à vontade para agir em causa própria.
"É o chamado licenciamento moral. A divulgação de um conflito deu às pessoas 'luz verde' para se comportar sem ética, como se fossem absolvidas por terem sido transparentes", diz Don Moore, professor de comportamento organizacional da Carnegie Mellon (Pensilvânia).
Para o professor da USP Reinaldo Ayer, diretor da Sociedade Brasileira de Bioética, o Brasil está atrasado nessas discussões. "Aqui, ainda temos de estimular que a declaração de conflitos de interesse seja rotina entre os médicos."
Roberto D'Àvila, presidente do CFM (Conselho Federal de Medicina), concorda: "Ao declarar, dou condição para quem está lendo uma pesquisa, assistindo a uma aula ou recebendo tratamento de saber que aquilo está contaminado por outros interesses". Para ele, declarar não acaba com o conflito, mas "torna a relação [entre os médicos e seus pares ou pacientes] mais transparente". O CFM e a Interfarma (associação das farmacêuticas multinacionais) estão elaborando um novo código de conduta ética.
Já o médico gaúcho Guilherme Brauner Barcellos afirma que a declaração não pressupõe mudança de cultura nas organizações médicas. "É insuficiente para proteger os pacientes." Barcellos preside a Sociedade Brasileira de Medicina Hospitalar, que há dois anos faz congressos sem ajuda dos laboratórios. "É possível fazer, mas precisamos discutir outras formas de financiamento da educação médica."
ERRATA: fui presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Hospitalar até final de 2010!
Fonte: Folha de São Paulo
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Outro estudo negativo com Times de Resposta Rápida
Rapid Response Team in an Academic Institution
Does It Make a Difference?
In this large before-after study in an academic tertiary care center, implementation of a rapid response team did not affect code rates or mortality rates. Rapid response teams continue to be controversial in their benefit, despite widespread adoption. They analyzed 16,244 nonobstetrics hospital admissions and 70,208 patient days in the control period and 45,145 nonobstetrics hospital admissions and 161,097 patient days after the RRT was implemented. The RRT was activated 1,206 times (7.7 calls per 1,000 patient days). There was no difference in the code rate (0.83 vs 0.98 per 1,000 patient days, P = .3). There was a modest but nonsustained improvement in nonobstetrics hospital mortality during the study period (2.40% vs 2.15%; P = .05), which could not be explained by the RRT effect on code rates. The mortality was 2.40% in the control group and 2.06%, 1.94%, and 2.46%, respectively, during the next three consecutive 9-month intervals. Although there was a decrease in overall hospital mortality, this decrease was small, nonsustained, and not explained by the RRT effect on code rates.
O que tinha na literatura até então apresentei recentemente no PASHA2010: Rapid Response Teams: Just highly contagious
Does It Make a Difference?
In this large before-after study in an academic tertiary care center, implementation of a rapid response team did not affect code rates or mortality rates. Rapid response teams continue to be controversial in their benefit, despite widespread adoption. They analyzed 16,244 nonobstetrics hospital admissions and 70,208 patient days in the control period and 45,145 nonobstetrics hospital admissions and 161,097 patient days after the RRT was implemented. The RRT was activated 1,206 times (7.7 calls per 1,000 patient days). There was no difference in the code rate (0.83 vs 0.98 per 1,000 patient days, P = .3). There was a modest but nonsustained improvement in nonobstetrics hospital mortality during the study period (2.40% vs 2.15%; P = .05), which could not be explained by the RRT effect on code rates. The mortality was 2.40% in the control group and 2.06%, 1.94%, and 2.46%, respectively, during the next three consecutive 9-month intervals. Although there was a decrease in overall hospital mortality, this decrease was small, nonsustained, and not explained by the RRT effect on code rates.
O que tinha na literatura até então apresentei recentemente no PASHA2010: Rapid Response Teams: Just highly contagious
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Farmacêutica realizou doação de US$ 1 milhão de dólares à Fundação Médica do Rio Grande do Sul
Um dos principais objetivos é colaborar no aprimoramento do atendimento primário de pacientes com diabetes (Programa Hiperdia). Uma das formas de fazer será através do monitoramento de qualidade em diversas etapas do atendimento, entre elas a do acesso à medicamentos. O Hiperdia também fornece um sistema informatizado de cadastramento e acompanhamento de pacientes hipertensos e diabéticos e ainda permite o acompanhamento e a garantia do recebimento dos medicamentos prescritos. Saiba mais.
Quais serão as medicações e insulinas de primeira escolha? A partir disto, "atualização das diretrizes clínicas de diabetes"? Pensei e imediatamente lembrei da aula do diabetologista britânico Edwin Gale.
Quais serão as medicações e insulinas de primeira escolha? A partir disto, "atualização das diretrizes clínicas de diabetes"? Pensei e imediatamente lembrei da aula do diabetologista britânico Edwin Gale.
PRO/CON Antipsicóticos em Pacientes com Demência
CON: Daniel Levinson
PRO: Daniel Carlat
Quem defende o uso é Carlat, o "anti-indústria farmacêutica", "radical"... autor de http://carlatpsychiatry.blogspot.com/ e Unhinged. É isto mesmo?
Serve para perceber que há muita gente envolvida na discussão sobre conflitos de interesse / educação médica independente que não é contra remédios ou contra quem os produz. Aliás, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
PRO: Daniel Carlat
Quem defende o uso é Carlat, o "anti-indústria farmacêutica", "radical"... autor de http://carlatpsychiatry.blogspot.com/ e Unhinged. É isto mesmo?
Serve para perceber que há muita gente envolvida na discussão sobre conflitos de interesse / educação médica independente que não é contra remédios ou contra quem os produz. Aliás, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Podemos acreditar no que lemos?
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| guardian.co.uk - 20 May 2011 |
Mais sobre Medical Ghostwriting:
NYTimes:
Medical Papers by Ghostwriters Pushed Therapy
Ghostwriting Is Called Rife in Medical Journals
Report Urges More Curbs on Medical Ghostwriting
PLoS:
Ghostwriting: The Dirty Little Secret of Medical...
Ghostwriting at Elite Academic Medical Centers...
JAMA: Guest Authorship and Ghostwriting in Publications Related to Rofecoxib
Jeffrey Lacasse and Jonathan Leo assess ghostwriting policies at 50 academic medical centers in the United States and find that only 10 explicitly prohibit ghostwriting.
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